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23 de junho de 2014

[Resenha] O Silêncio das Montanhas

O Silêncio das Montanhas - Khaled Hosseini
352 páginas
Globo Livros
ISBN: 9788525054081
Classificação: 4.5/5 estrelas
O Silêncio das Montanhas traz como protagonista os irmãos Pari e Abdullah, que moram em uma aldeia distante de Cabul, são órfãos de mãe e têm uma forte ligação desde pequenos. Assim como a fábula que abre o livro, as crianças são separadas, marcando o destino de vários personagens. Paralelamente à trama principal, Hosseini narra a história de diversas pessoas que, de alguma forma, se relacionam com os irmãos e sua família, sobre como cuidam uns dos outros e a forma como as escolhas que fazem ressoam através de gerações. Assim como em O Caçador de Pipas, o autor explora as maneiras como os membros sacrificam-se uns pelos outros, e muitas vezes são surpreendidos pelas ações de pessoas próximas nos momentos mais importantes. Segundo o próprio Hosseini, o novo título "fala não somente sobre a minha própria experiência como alguém que viveu no exílio, mas, também sobre a experiência de pessoas que eu conheci, especial os refugiados que voltaram ao Afeganistão e sobre cujas vidas tentei falar tanto como escritor quanto como representante da Organização das Nações Unidas. Espero que os leitores consigam amar os personagens de O Silêncio das Montanhas tanto quanto eu os amo". Seguindo os personagens, mediante suas escolhas e amores pelo mundo - de Cabul a Paris, de São Francisco à Grécia -, a história se expanda, tornando-se emocionante, complexa e poderosa. É um livro sobre vidas partidas, inocências perdidas e sobre o amor em uma família que tenta se reencontrar.

O livro é dividido em nove capítulos, cada um com uma história relativamente independente, como se fosse um conto, mas com uma relação com o capitulo anterior. Às vezes um personagem que só foi citado em um capítulo vai ser o protagonista em outro. Achei a ideia maravilhosa. Nunca tinha ouvido falar de nenhum livro assim, e na minha opinião, a história ficou muito mais completa do que se fosse na visão de uma só pessoa. Foi possível acompanhar diferentes personagens, em lugares completamente diferentes, nas épocas mais diversas. Ao unir tudo no final o panorama geral é incrível. O autor constrói quase um mundo a parte.
O capitulo 1 é a narração de uma fábula contada por um pai a seus filhos. No capítulo 2, o pai, Saboor, e os filhos, Abdullah e Pari, se tornam protagonistas. É uma das histórias mais tristes, guiando praticamente todas as outras. O capítulo 3 é sobre Parwana, a esposa de Saboor e madrasta de Abdullah e Pari. É a história de sua vida, antes de casar com Saboor e o relacionamento com a sua irmã. O capitulo 4 é um dos melhores para mim. Os protagonistas são Nabi, o irmão de Parwana, e um outro personagem que conhecemos no capitulo 2. Eles, inclusive, são extremamente importantes para toda a história. Para mim esse é o capítulo mais profundo, mais intenso. A história em si não vai fazer tanta diferença nos outros, uma vez que ele fecha relativamente bem sua própria história, mas ainda assim ajuda a compreender como as pessoas podem ser mais complexas e difíceis do que pensamos. Mas vários personagens aparecem de novo. O capitulo 5 é muito interessante e muito triste. Os protagonistas são dois personagens brevemente citados no capitulo 4. Voltamos a ver Nabi, mas apenas como secundário e Abdullah é citado, então conseguimos saber como anda sua vida. É uma história bastante surpreendente, mas sem muita importância para a história principal. No capítulo 6 temos notícia de Pari e outra personagem que conhecemos no capítulo 2. A vida quase toda de Pari é contada, o que nos da um panorama ótimo sobre quem ela é hoje e o que determinados acontecimentos podem influenciar. Alguns personagens do capitulo 4 surgem no final. O capitulo 7 é um pouco confuso no começo, mas logo descobrimos que ele retoma um personagem lá do começo do livro. Mas ele mesmo pouco aparece. Digamos que quem importa é sua família. O capítulo 8 é outro um pouco sem utilidade para a história geral, mas incrivelmente bonito. O protagonista é alguém bem secundário do capítulo 4. E, por fim, o capítulo 9 retoma personagens de alguns capítulos anteriores e finaliza a história. 
O final é muito bonito, mas eu esperava um final mais feliz. Mas é um livro bem realista, então eu não sei porque fiquei esperando isso do Khaled.
Recomendo demais o livro!
Vocês já leram? Pretendem ler?
Beijos,

5 de maio de 2014

[Resenha] Morangos Mofados


Morangos Mofados - Caio Fernando Abreu
168 páginas
Saraiva de Bolso
ISBN: 9788520932896
Classificação: 4.5/5 estrelas

O que primeiro chama a atenção na leitura de "Morangos Mofados" é a fineza de estilo, a agudeza e a percepção de Caio Fernando Abreu para tratar da essência, do que há de mais profundo no ser humano. A busca, a dor, o fracasso, o encontro, o amor e a esperança vão se delineando nessa série de contos que se entrelaçam quase como se fossem um romance.





Morangos Mofados é um livro de contos do Caio que se divide em três partes: Mofo, Morangos e Morangos Mofados. É difícil tentar descrever e categorizar as três partes porque, por mais sentido que faça a divisão, a diferença entre o tom dos contos é tão sutil que fica difícil explicar. 
Confesso que para mim foi difícil passar pelo Mofo. As histórias são bem complexas e vez ou outra tive que fechar o livro respirar fundo algumas vezes antes de continuar. Um conto especifico, Terça-feira gorda, foi um soco no estomago, precisei dar um tempo no livro antes de voltar.
Se você tem algum tipo de preconceito não toque nesse livro, por que com certeza ele vai te incomodar. Grande parte dos contos trata de relações homoafetivas, das formas mais diversas possíveis.
É um livro para ser lido e relido algumas vezes antes de se entender completamente. Confesso que muitas vezes não entendia o que ele queria me dizer, tentava voltar e reler, mas a verdade é que alguns contos foram escritos para quando o leitor estiver pronto para ler. Não adianta querer forçar nada antes.
O meu conto preferido foi Transformações, que eu já postei aqui no blog. 
Caio não é para qualquer um, mas quem gosta, ama.

"(...) não se preocupe, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais autodestrutiva do que insistir sem fé nenhuma?"

3 de fevereiro de 2014

[Resenha] Como Salvar Uma Vida

Como Salvar Uma Vida - Sara Zarr
204 páginas (e-book)
iD
ISBN: 9788516072667
Classificação: 4.5/5 estrelas
Jill MacSweeney só quer que tudo volte ao normal. Mas, desde que seu pai morreu, ela tem se isolado do namorado e das melhores amigas – de todo mundo que quer apoiá-la. E quando sua mãe decide adotar um bebê, parece que, de algum modo, está tentando substituir um membro perdido da família por um novo. Mandy Madison sabe o que é crescer sendo indesejável – foi criada por uma mãe que nunca pretendeu ter uma filha. Então, quando Mandy fica grávida, a única coisa de que ela tem certeza é que quer uma vida melhor para seu bebê. É difícil saber o que quer para si mesma. Será que ela vai encontrar alguém que se importe com ela? À medida que seus mundos se transformam, Jill e Mandy devem aprender a se desapegar e a se apegar, e que nada é tão fácil – ou tão difícil – quanto parece. Aclamada pela crítica, Sara Zarr mostra uma história tocante, contada a partir de duas perspectivas, sobre os muitos caminhos que podem nos conduzir a um lar.

O livro conta a história de Jill e Mandy, duas adolescentes bastante diferentes. Jill acabou de perder o pai e acabou se afastando dos seus amigos, quando a mãe, Robin, surge com a notícia de que quer adotar um bebê. Essa criança é o filho de Mandy, uma garota de 18 anos que fugiu de casa em busca de uma vida melhor. 
Os capítulos vão se alternando, um na visão de Jill, um na de Mandy, e assim por diante. A principio eu não sabia o que pensar direito a respeito de Mandy, ao mesmo tempo que parecia que ela só queria tirar proveito da família, parecia que ela era uma garota profundamente machucada, que nunca soube o que é ter uma família de verdade. Com o decorrer do livro vamos descobrindo a verdade.
Me identifiquei muito com a Jill, principalmente com a questão de se afastar dos amigos no momento em que ela mais precisava deles. Outro personagem que eu gostei bastante foi o Ravi e como a Jill fica diferente perto dele.
A questão do luto também é trabalhada no livro, mas não é o foco. Mas eu gostei de como mostrou a Jill tentando lidar com a morte do pai, mesmo afastando as outras pessoas... O desfecho nesse caso foi perfeito.
Confesso que eu não conseguia ver um final feliz para o livro, por tanto o que a autora fez no final, além de emocionante foi surpreendente.
Definitivamente vale a pena a leitura, gostei bastante!
E vocês, já leram esse livro? O que acharam?
Beijos,


18 de janeiro de 2014

[Resenha] Menina Morta-Viva

Menina Morta-Viva - Elizabeth Scott
109 páginas (e-book)
Editora Underworld
ISBN: 9788564025134
Classificação: 4.5/5 estrelas
Era uma vez, eu era uma menininha que desapareceu. Era uma vez, o meu nome não era Alice. Era uma vez, eu não sabia como tinha sorte. Quando Alice tinha dez anos, Ray levou-a de sua família, seus amigos ― a sua vida. Ela aprendeu a desistir de todo o poder, para suportar toda a dor. Ela esperou que o pesadelo acabasse. Alice agora tem quinze e Ray ainda a tem, mas ele fala mais e mais da sua morte. Ele não sabe é o que ela anseia. Ela não sabe que ele tem algo mais assustador do que a morte em mente para ela. Esta é a história de Alice. É uma que você nunca ouviu falar, e que você nunca, jamais esquecerá.



O livro conta a história de uma menina, da qual não sabemos o nome verdadeiro, que foi sequestrada quando tinha cerca de 10 anos. Seu sequestrador, Ray, a renomeou de Alice e seu pesadelo começou. A história é contada com "Alice" já com 15 anos e ainda sob o poder de Ray. As coisas que eles fazia com ele são bem pesadas e apesar dessa autora escrever normalmente YAs, creio que nem todo jovem adulto tenha estomago para esse livro.
Alice não pode comer, vive basicamente a base de yogurt, para não ganhar corpo. Ela pode sair de casa, contando que volte antes de Ray chegar. O poder dele vem da ameaça de matar toda a família dela caso ela tente fugir e por isso ele consegue mantê-la sob controle por tanto tempo.
É um livro relativamente curto, acho que não chega a ser romance, é mesmo uma novela. Os acontecimentos se desencadeiam rapidamente, o que é bom, por que eu não sei se conseguiria ler nada mais detalhado. Ray é realmente nojento.
O desfecho é um tanto inesperado, confesso que gostaria que as coisas fossem diferentes. Mas entendo o porque da escolha da autora. Só nas últimas linhas descobrimos o verdadeiro nome de Alice e achei bastante emocionante. Como várias dos livros que eu resenho, não é para qualquer um. Mas se você gosta dessa temática mais densa, com certeza eu indico!
É o segundo livro que eu leio da autora (o outro foi Te Amo, Te Odeio, Sinto Tua Falta) e os dois foram muito bons. Estou com vários livros dela no kindle e pretendo lê-los agora nas férias.
Enfim, já leram esse livro ou algum livro da autora? O que acharam?
Beijos,

24 de dezembro de 2013

[Resenha] Quem é você, Alasca?

Quem é você, Alasca? - John Green
229 páginas
Wmf Martins Fontes
ISBN: 9788578273422
Classificação: 4.5/5 estrelas
Miles Halter é um adolescente fissurado por célebres últimas palavras que, cansado de sua vidinha pacata e sem graça em casa, vai estudar num colégio interno à procura daquilo que o poeta François Rabelais, quando estava à beira da morte, chamou de o "Grande Talvez". Muita coisa o aguarda em Culver Creek, inclusive Alasca Young, uma garota inteligente, espirituosa, problemática e extremamente sensual, que o levará para o seu labirinto e o catapultará em direção ao "Grande Talvez".

O protagonista do livro é Miles, ou Gordo, um garoto fissurado por saber as últimas palavras de grandes personalidades e que sai em busca de um "Grande Talvez", abandonando sua vida bem mais ou menos e indo para a escola interna onde seu pai estudara.
O livro é dividido em duas partes, Antes e Depois, e não, você não vai saber o que as separa até que chegue lá. Não vou dar spoilers, mas a verdade é que não estava gostando da primeira parte do livro. Ela fala basicamente sobre a vida de Gordo no colégio, seus novos amigos e a paixão, quase platônica, que ele tinha por Alasca. A partes mais interessantes, para mim, eram as da aula de Religião, porque eu adoraria ter aula com o professor deles!
Mas então vem a segunda parte e tudo vira de cabeça para baixo! Não chorei em nenhuma parte do livro, mas ele me deu muito para pensar... "Depois" é bastante reflexiva, talvez pela sequência de acontecimentos, talvez pela própria personalidade dos personagens. 
Já ouvi muito gente dizer que não se identificou com os personagens do livro, mas o oposto aconteceu comigo. Me identifiquei muito com tanto com Miles, quanto com Alasca e Chip. Se você gostou de A Culpa É Das Estrelas, definitivamente vai gostar desse livro, apesar deles serem bastante diferentes em alguns aspectos.
Talvez essa resenha tenha ficado um tanto curta e abstrata, mas é quase impossível falar sobre esse livro sem dar algum spoiler, então eu dei meu máximo! É uma leitura que eu recomendo!
Já leram o livro, o que acharam?
Beijos,

30 de outubro de 2013

[Resenha] Perdão, Leonard Peacock

Perdão, Leonard Peacock - Matthew Quick
224 páginas
Intrínseca
ISBN: 9788580573954
Classificação: 4.5/5 estrelas
Hoje é o aniversário de Leonard Peacock. Também é o dia em que ele saiu de casa com uma arma na mochila. Porque é hoje que ele vai matar o ex-melhor amigo e depois se suicidar com a P-38 que foi do avô, a pistola do Reich. Mas antes ele quer encontrar e se despedir das quatro pessoas mais importantes de sua vida: Walt, o vizinho obcecado por filmes de Humphrey Bogart; Baback, que estuda na mesma escola que ele e é um virtuose do violino; Lauren, a garota cristã de quem ele gosta, e Herr Silverman, o professor que está agora ensinando à turma sobre o Holocausto. Encontro após encontro, conversando com cada uma dessas pessoas, o jovem ao poucos revela seus segredos, mas o relógio não para: até o fim do dia Leonard estará morto.

O foco do livro é Leonard, um garoto proveniente de uma família desestruturada e perseguido pelo seu passado, que no dia de seu aniversário resolve matar a pessoa que mais odeia na vida, e depois cometer suicídio. É um tema complexo e o autor consegue abordá-lo, em primeira pessoa, sem torná-lo deprimente ou sufocante. Porém, dada complexidade do tema, o autor podia ter trabalhado melhor a linguagem do texto, que, na minha opinião, podia ter sido mais densa.
Com o decorrer da narrativa o autor vai fazendo menção a um certo ocorrido, que teria gerado em Leonard tanta raiva de Asher (seu ex-melhor amigo), e o fato de ele só ser revelado mais no final da história, só nos dando pistas antes, faz com que tudo se torne ainda mais interessante. Porque o leitor sabe o que está acontecendo com Leonard e que ele está com raiva, mas só aos poucos vai entendendo os porquês.
A medida que o dia passa e Leonard vai encontrando seus "amigos" antes do planejado ato final, descobrimos mais sobre a personalidade dele e sobre o que ele faz para tentar se entender e entender o mundo. Ele é um personagem extremamente interessante.
Algo que me chamou atenção no livro foram cartas que Leonard escreve como se fossem cartas de pessoas do seu futuro para ele no presente. Então, seu eu de 18 anos "recebe" cartas de seu sogro, de sua mulher e de sua filha, vindas do futuro. Essa "tarefa" foi uma sugestão dada pelo seu professor Herr Silverman para fazer com que ele se sentisse melhor e com mais esperança.
É um livro muito interessante, e apesar da linguagem ter deixado a desejar, me fez sentir cada emoção junto com Leonard.
É uma leitura que vale a pena!

22 de outubro de 2013

[Resenha] As Virgens Suicidas

As Virgens Suicidas - Jeffrey Eugenides
Companhia das Letras
232 páginas
ISBN: 9788535922196
Classificação: 4.5/5 estrelas
Num típico subúrbio dos Estados Unidos nos anos 1970, cinco irmãs adolescentes se matam em sequência e sem motivo plausível. A tragédia, ocorrida no seio de uma família que, em oposição aos efeitos já perceptíveis da revolução sexual, vive sob severas restrições morais e religiosas, é narrada pela voz coletiva e fascinada de um grupo de garotos da vizinhança. O coro lírico que então se forma ajuda a dar um tom sui generis a esta fábula da inocência perdida.





O livro conta, de certa forma, a história da família Lisbon, fugindo da linearidade, tentando desvendar o porquê do suicídio das irmãs Cecilia, Lux, Mary, Bonnie e Therese.
É narrado por um narrador personagem não identificado, mas que subentende-se ser um dos vizinhos da família. Na época dos suicídios, ele e outros adolescentes da vizinhança eram fascinados pelas meninas, fazendo com que juntassem "Peças" para tentar desvendar o que acontecera com as meninas. Agora já na meia idade ele repassa as evidencias e as peças, todas as entrevistas que fizeram e, enquanto nos conta a história, faz uma reflexão sobre os subúrbios americanos e o fracasso do estilo de vida do "sonho americano".
Uma parte muito interessante, já no final do livro, é uma transcrição de uma anotação do psiquiatra das garotas.

"Para a maioria das pessoas", afirmou, "o suicídio é como uma roleta russa. A arma tem apenas uma bala. No caso das meninas Lisbon, estava totalmente carregada. Uma bala para abusos domésticos. Uma bala para predisposição genética. Uma bala para mal-estar histórico. Uma bala para ímpeto inevitável. As outras duas são impossíveis de nomear, mas isso não significa que não estivessem ali."

A conclusão do narrador sobre os suicídios também é pungente:

As meninas tomaram nas próprias mãos decisões que deveriam ser deixadas para Deus. Tornaram-se poderosas demais para viver entre nós,absortas demais em si mesmas, visionárias demais, cegas demais.

O tom do livro e perfeito, pois, devido a temática corria o risco de ficar muito melodramático, ou muito deprimente. A única coisa que, na minha opinião, comprometeu uma visão mais ampla da história foi a escolha de um narrador personagem sem que esse fosse uma das meninas. Nesse caso, acredito que um narrador onisciente em 3ª pessoa daria ao leitor uma imagem melhor sobre as meninas. Mas acredito que isso tenha sido feito de propósito, para o foco não ser só nas irmãs, mas também nos vizinhos e suas relações.
Um livro simplesmente incrível, vale muito a pena!

8 de agosto de 2013

[Resenha] The Bell Jar

The Bell Jar - Sylvia Plath
244 páginas
Harper Perennial
ISBN: 9780060837020
Classificação: 4.5/5 estrelas

The Bell Jar é o único romance da escritora e poetisa norte-americana Sylvia Plath, o qual foi publicado originalmente sob o pseudônimo "Victoria Lucas" em 1963.
Embora não seja um livro autobiográfico, pois o nome de pessoas e de lugares foram trocados, a doença mental da protagonista (Esther Greenwood) é bastante semelhante às experiências que Plath teve com o que pode ter sido um transtorno bipolar ou uma depressão clínica. 
A autora cometeu suicídio um mês após a primeira publicação da obra. 


O livro começa com Esther em NYC, trabalhando em um estágio de um mês para uma revista de moda muito famosa. Apesar de feliz com a oportunidade é possível perceber que ela não sente que seu lugar é ali. Durante a narrativa é possível perceber como ela está perdida quanto ao que ela quer, quanto ao que ela é, quanto ao seu futuro e seu papel no mundo.
Num primeiro momento, enquanto ela está em NYC, vão se mesclando acontecimentos do presente e lembranças do passado, o que nos permite conhecer um pouco mais sobre Esther, sobre o seu relacionamento consigo e com os outros, principalmente com a família.
Até que chega o momento de ela voltar para casa. Chegando lá uma notícia desencadeia uma reação lenta e inesperada: Esther não consegue mais escrever (sim, ela gostaria de ser uma poeta), aos poucos vai perdendo a vontade de comer, começa a ficar demais na cama, fica dias sem lavar o cabelo... Ou seja, ela perde a vontade de viver. Não por causa da notícia que ela recebeu ou de alguns acontecimentos que precederam sua partida de NY, mas uma junção de inúmeros fatores que foram tomando conta dela, tão lentamente, que quando ela percebeu, já não conseguia mais dormir.
O livro não é leve. Mas ao mesmo tempo, ele não trata a doença com emoção. É como se houvesse um certo distanciamento clinico entre a narrativa e os acontecimentos, mesmo sendo em primeira pessoa. Isso só contribui para a descrição de Esther de o que seria o estado em que ela se encontra:

"If Mrs. Guinea had given me a ticket to Europe, or a round-the-world cruise, it wouldn't have made one scrap of difference to me, because wherever I sat - on the deck of a ship or at a street café in Paris or Bangkok - I would be siting under the same glass bell jar, stewing in my own sour air."

Ou seja, não importa as circunstâncias externas, o mundo não tem mais importância. É como se um jarro de vidro tivesse decido sobre ela e ela não pudesse sentir mais o mundo do mesmo jeito das outras pessoas. Ela só pode sentir a si mesma e, no momento, é a última pessoa com quem ela quer estar.
Depois de alguns acontecimentos Esther vai parar em uma série de hospitais e é muito interessante ver essa dinâmica dela com os médicos e com os outros pacientes.
É um livro extremamente psicológico, indicado para quem tem estomago, paciência e interesse. Só perdeu meia estrelinha porque eu achei que existem muitas histórias e personagens desnecessários, mas como é um livro "autobiográfico" eu relevei, por isso não perdeu uma estrelinha inteira.

Eu li em inglês e, apesar de ter bastante palavras desconhecidas, não tive dificuldades de compreensão. De quebra eu aumentei bastante o meu vocabulário. Para quem quiser saber, eu comprei o livro no site da saraiva.

Espero que vocês tenham gostado da resenha, que ficou um pouco mais longa que o normal.
Beijos,

30 de julho de 2013

[RESENHA] O Príncipe

O Príncipe - Kiera Cass
72 páginas
Seguinte
Classificação: 4.5/5

Antes que trinta e cinco garotas fossem escolhidas para participar da Seleção... Antes que Aspen partisse o coração de America... Havia outra garota na vida do príncipe Maxon. Conto inédito e gratuito, O Príncipe não só proporciona um vislumbre dos pensamentos de Maxon nas semanas que antecedem a Seleção, como também revela mais um pouco sobre a família real e as dinâmicas internas do palácio. Você descobrirá como era a vida do príncipe antes da competição, suas expectativas e inseguranças, assim como suas primeiras impressões quando as trinta e cinco garotas chegam ao palácio. É uma leitura indispensável a todos que terminaram A Seleção e ficaram querendo mais! Ao final, contém os dois primeiros capítulos de A Elite, segundo volume da trilogia.


O Príncipe é o volume 1.5 da trilogia A Seleção e mostra os sentimentos do príncipe Maxon pouco antes do início da Seleção, além da relação dele com os pais. 

O Príncipe não traz realmente muito fatos novos, mas nos faz ver pelo olhos de Maxon um pouco da Seleção e de como esta foi feita. Será que aconteceu mesmo o sorteio do qual é falado no primeiro livro?

O livro mostra o inicinho da Seleção, ou seja, o primeiro encontro dele com a America e a primeira entrevista estão incluídas, só que vemos isso do ângulo de Maxon e com seus sentimentos, o que me deixou mais apaixonada pelo príncipe.

A única coisa que me decepcionou é que o livro é muito pequenininho e não esclarece nada sobre os rebeldes e sobre a história de Iléa, queria que fosse todo o primeiro livro na perspectiva do Maxon hahahaha 

O melhor de tudo é que o e-book foi disponibilizado para download gratuito no site da editora, aqui, é só fazer o cadastro. Então uma dica para quem é fã da trilogia, corre lá e faz o download de O Príncipe!


31 de dezembro de 2012

[RESENHA] O Diário de Suzana Para Nicolas

O Diário de Suzana Para Nicolas - James Patterson
Arqueiro
130 páginas (versão econômica)
ISBN: 9788580410273
Classificação: 4.5/5
Depois de quase um ano juntos, o poeta Matt Harrison acaba de romper com Katie Wilkinson. A jovem editora, que não tinha qualquer dúvida quanto ao amor que os unia, não consegue entender como um relacionamento tão perfeito pôde acabar tão de repente. Mas tudo está prestes a ser explicado. No dia seguinte ao rompimento, Katie encontra um pacote deixado por Matt na porta de sua casa. Dentro dele, um pequeno volume encadernado traz na capa cinco palavras, escritas com uma caligrafia que ela não reconhece: “Diário de Suzana para Nicolas”. Ao folhear aquelas páginas, Katie logo descobre que Suzana é uma jovem médica que, depois de sofrer um infarto, decidiu deixar para trás a correria de Boston e se mudar para um chalé na pacata ilha de Martha’s Vineyard. Foi lá que conheceu Matt. E lá nasceu o filho deles, Nicolas. Por que Matt teria lhe deixado aquele diário? Agora, confusa e sofrendo pelo fim do relacionamento, é nas palavras de outra mulher que Katie buscará as respostas para sua vida. O diário de Suzana para Nicolas é uma história de amor que se constrói ao virar de cada página. Cada revelação é mais uma nuance sobre seus personagens. Cada descoberta é um fio a mais a ligar vidas que o destino entrelaçou. 

O livro começa quando Katie recebe um "presente" definitivamente estranho do seu ex-namorado, Matt, que acabou de terminar com ela: um diário escrito por Suzana, mulher de Matt, para Nicolas, o filho dos dois. Katie não sabe o que fazer: ela nem mesmo sabia que Matt era casado; De uma maneira ou de outra, ela começa a ler o diário e subitamente percebe que gosta de Suzana, que as duas poderiam ser amigas.
Assim a história se desenrola: parte contada por Suzana, através do diário, parte contada por Katie e suas percepções durante a leitura. O ponto é que nem o leitor, nem a Katie sabem quando foi o escrito o diário e isso torna a história ainda mais fascinante: como alguém tão incrível como Matt (descrito por Suzana) trairia a mulher com Katie e, para completar, terminaria com a "amante" de maneira tão insensível? Simplesmente não combina com a personalidade e as atitudes dele.

"Coisas ruins acontecem às vezes, Nicolas.
Lembre-se sempre diso, mas lembre também que é preciso seguir em frente de alguma maneira.
A gente levanta a cabeça, olha para alguma coisa bonita, como o céu ou o mar, e segue em frente, caramba."

O livro é incrível, a narrativa é deliciosa. A única coisa que eu acho que faltou para completar foi um pouco mais da história entre o Matt e a Katie, porque eu acho que essa relação não foi mostrada com a mesma intensidade que a relação entre Matt e Suzana. Mesmo assim, o livro é maravilhoso. Não é atoa que eu devorei em um dia kkkk
Vale a pena ler!
Beijos,

29 de dezembro de 2012

[RESENHA] The Rescue

The Rescue - Nicholas Sparks
Gran Central Publishing
433 páginas
ISBN: 9780446610391
Classificação: 4.5/5
"Denise é uma mãe solteira que interrompeu todos os projetos de sua vida para ajudar seu filho a superar os graves problemas de fala e aquisição de linguagem. Taylor é um bombeiro que está acostumado a correr riscos no dia-a-dia, mas foge de compromissos emocionais. Quando o destino os coloca frente a frente, após um acidente de carro, romance é a última coisa que lhes passa pela cabeça. Uma história de amor de um dos autores mais queridos dos EUA."

Como todo bom romance do Nicholas, The Rescue segue a fórmula cidade do interior da Carolina do Norte + casal fofo + dificuldade impensável + morte iminente = final feliz (quase sempre). Enfim, o livro começa quando Taylor nosso mocinho salva o filho da Denise nossa mocinha que se perdeu na mata depois de um acidente de carro. Como a cidade deles é muito pequena, é impossivel eles não acabarem se aproximando. Eles começam a namorar e tudo vai muito bem até que... Bem, as coisas param de ir tão bem assim.
Tenho que dizer que o livro não é excepcional, mas os últimos capítulos me fizeram chorar, como todos os outros livros do Nicholas. Ele mostra o desenvolvimento do relacionamento dos personagens e por isso não fica aquela coisa meio inexplicada de paixão à primeira vista (que eu particularmente não gosto ou acredito).
O livro é comovente e as relações entre as personagens, não só Taylor e Denise, mas Denise e o filho, Taylor e o melhor amigo, são incrívelmente bem construídas. Como o livro é em 3ª pessoa é possivel ter um panorama bem abrangente dos personagens principais e, para mim, isso foi um ponto positivo.
A única coisa que eu posso reclamar é que o livro demorou um pouco a engatar, mas talvez seja porque esse foi o primeiro livro que eu li em inglês. Enfim, esse foi o único motivo que o livro não ganhou 5 estrelas.
Para quem gosta dos livros do Nicholas Sparks, é uma leitura que definitivamente vale a pena. Infelizmente ele não foi lançado oficialmente no Brasil. No entanto, é possivel adquirir a cópia portuguesa ou ler a versão que foi publicada na "Seleções de Livros" da Reader's Digest.
Beijos,