Companhia das Letras
232 páginas
ISBN: 9788535922196
Classificação: 4.5/5 estrelas
Num típico subúrbio dos Estados Unidos nos anos 1970, cinco irmãs adolescentes se matam em sequência e sem motivo plausível. A tragédia, ocorrida no seio de uma família que, em oposição aos efeitos já perceptíveis da revolução sexual, vive sob severas restrições morais e religiosas, é narrada pela voz coletiva e fascinada de um grupo de garotos da vizinhança. O coro lírico que então se forma ajuda a dar um tom sui generis a esta fábula da inocência perdida.
O livro conta, de certa forma, a história da família Lisbon, fugindo da linearidade, tentando desvendar o porquê do suicídio das irmãs Cecilia, Lux, Mary, Bonnie e Therese.
É narrado por um narrador personagem não identificado, mas que subentende-se ser um dos vizinhos da família. Na época dos suicídios, ele e outros adolescentes da vizinhança eram fascinados pelas meninas, fazendo com que juntassem "Peças" para tentar desvendar o que acontecera com as meninas. Agora já na meia idade ele repassa as evidencias e as peças, todas as entrevistas que fizeram e, enquanto nos conta a história, faz uma reflexão sobre os subúrbios americanos e o fracasso do estilo de vida do "sonho americano".
Uma parte muito interessante, já no final do livro, é uma transcrição de uma anotação do psiquiatra das garotas.
"Para a maioria das pessoas", afirmou, "o suicídio é como uma roleta russa. A arma tem apenas uma bala. No caso das meninas Lisbon, estava totalmente carregada. Uma bala para abusos domésticos. Uma bala para predisposição genética. Uma bala para mal-estar histórico. Uma bala para ímpeto inevitável. As outras duas são impossíveis de nomear, mas isso não significa que não estivessem ali."
A conclusão do narrador sobre os suicídios também é pungente:
As meninas tomaram nas próprias mãos decisões que deveriam ser deixadas para Deus. Tornaram-se poderosas demais para viver entre nós,absortas demais em si mesmas, visionárias demais, cegas demais.
O tom do livro e perfeito, pois, devido a temática corria o risco de ficar muito melodramático, ou muito deprimente. A única coisa que, na minha opinião, comprometeu uma visão mais ampla da história foi a escolha de um narrador personagem sem que esse fosse uma das meninas. Nesse caso, acredito que um narrador onisciente em 3ª pessoa daria ao leitor uma imagem melhor sobre as meninas. Mas acredito que isso tenha sido feito de propósito, para o foco não ser só nas irmãs, mas também nos vizinhos e suas relações.
Um livro simplesmente incrível, vale muito a pena!


Que livro interessante!!!Gostei pela temática dferente, pois ja sabemos que elas morreram, só nos resta saber o porque.
ResponderExcluiradorei a resenha bastante objetiva!!!
seguindo*_*
bjs
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