Precisamos Falar Sobre Kevin - Lionel Shriver
464 páginas
Intrínseca
ISBN: 9788580571509
Classificação: 5/5 estrelas
Para falar de Kevin Khatchadourian, 16 anos, o autor de uma chacina que liquidou sete colegas, uma professora e um servente no ginásio de um bom colégio dos subúrbios de Nova York, Lionel Shriver não apresenta apenas mais uma história de crime, castigo e pesadelos americanos: arquiteta um romance epistolar em que Eva, a mãe do assassino, escreve cartas ao marido ausente. Nelas, ao procurar porquês, constrói uma reflexão sobre a maldade e discute um tabu: a ambivalência de certas mulheres diante da maternidade e sua influência e responsabilidade na criação de um pequeno monstro. Precisamos falar sobre o Kevin discute casamento e carreira; maternidade e família; sinceridade e alienação. Denuncia o que há de errado com culturas e sociedades contemporâneas que produzem assassinos mirins em série e pitboys. Um thriller psicanalítico no qual não se indaga quem matou, mas o que morreu. Enquanto tenta encontrar respostas para o tradicional "onde foi que eu errei?" a narradora desnuda, assombrada, uma outra interdição atávica: é possível odiarmos nossos filhos?
Em primeiro lugar, Precisamos Falar Sobre Kevin é um livro pesado e que trata da temática das chacinas, já tão exploradas, de uma forma tão única que fica difícil encontrar algum outro trabalho a que compará-lo. Se você espera uma abordagem como a de A Lista Negra, pare por aqui. A obra de Lionel é um mergulho profundo na alma e nas memórias de Eva, enquanto ela escreve cartas para o marido, buscando entender o que aconteceu durante os dezesseis anos de vida de Kevin que culminaram do incidente da quinta-feira.
O livro não segue uma sequência linear, variando entre o presente e lembranças do passado. No decorrer dessas lembranças conhecemos Eva e o marido antes de Kevin, o período da gravidez, e assim por diante. Aos poucos, o comportamento e personalidade de Kevin vão se moldando e seus atos vão fazendo sentido. Mas isso não torna mais fácil a narrativa dos atos de Kevin, que chegam a embrulhar o estomago.
É um livro profundamente psicológico, mas é necessário certo distanciamento na leitura para não ser atingido por tamanha carga emocional. Um dos momentos mais impactantes para mim foi um incidente com Célia, a irmã mais nova de Kevin.
Quando cheguei ao final, confesso que inesperado, precisei relembrar os relatos de Eva para conseguir entender... Não sei se a visão que ela tem do filho, no decorrer do livro, é realmente fiel ou se foi deturpada por seus atos daquela quinta feira. Comecei a pensar se ela realmente "odiava" o filho desde sempre, ou se se convenceu disso como uma desculpa para justificar o fato de não ter previsto o desastre. Não cheguei a uma conclusão.
Mesmo depois de terminar o livro eu ainda não estou completamente certa sobre o que eu acho dele. Se por um lado ele é uma obra prima, levando em conta a construção do texto, a complexidade da história e a quantidade de detalhes, por outro lado, é uma história muito pesada e essa mesma quantidade de detalhes, da um certo caráter naturalista para a obra que eu não sei se me agrada. A cena da chacina, descrita com tantos detalhes, realmente me embrulhou o estomago. Mas como eu acho que essa era a intenção da autora, o livro levou todas as cinco estrelas disponíveis e, se possível, levaria até mais uma!
E vocês, já leram o livro? O que acharam?


Oie :)
ResponderExcluirEstou doido nesse livro preciso dele o mais urgente possível hahaha, beijos !!
http://euvivolendo.blogspot.com.br/ ( comenta lá :D )
Realmente parece ser um livro bem pesado. Nunca li nada neste estilo, apesar de parecer ser algo dificil de ler que conhecer esta história.
ResponderExcluirEstou seguindo seu blog para acompanhar as atualizações e sempre que puder fazer uma visita.
Abraços
http://reaprendendoaartedaleitura.blogspot.com.br/
Oi Letícia, não, nunca li o livro :/
ResponderExcluirIndiquei você em uma Tag, espero que goste
http://mentes-magicas.blogspot.com.br/
beijos
Eu também precisei me distanciar por um pouco, achei que fosse a única. Realmente rira seu ar e seu estado de paz.
ResponderExcluirÉ aquele livro pra ser lido em casa sozinho, né? Não no ônibus ou sei lá haha