368 páginas
iD
ISBN: 9788516077808
Classificação: 4/5 estrelas
Gemma é uma adolescente normal esperando para pegar um voo no aeroporto de Bangkok com seus pais. Ao se afastar, conhece o charmoso e envolvente Ty, e nem imagina quais são suas reais intenções... Ele lhe oferece um café em que coloca algum tipo de droga. Confusa, ela é sequestrada e arrastada para o meio do deserto australiano. Ele a rouba para si, depois de anos a observando, e ainda espera que ela o ame. Os dias se passam e eles têm apenas um ao outro na imensidão vazia e escaldante do deserto, e Gemma começa a entender e conhecer Ty. É aí que os limites entre inimizade e compaixão vão ficando cada vez mais tênues...
O livro conta a história de Gemma, uma garota de 16 anos que foi sequestrada e levada para o meio do deserto. Escrito como uma grande carta para o sequestrador, aos poucos vamos entendendo como tudo aconteceu e o desenrolar da situação.
Achei o livro ótimo, mas tive alguns problemas. O primeiro foi em relação a Síndrome de Estocolmo. Apesar de ainda não ter tido meu semestre de psicopatologia, não consegui ver a síndrome, como descrita, em Gemma. Porque ela é uma forma que a pessoa cria de sobrevivência: criando vínculo com o sequestrador sua chance de morrer diminui significativamente. No caso da Gemma, Ty nunca demonstrou a menor intenção de machuca-la, por isso acho difícil de comprar a ideia. Isso torna difícil explicar, na minha cabeça, como ela poderia desenvolver qualquer relação afetiva com ele, dada a situação do sequestro. Mas para isso existe uma alternativa plausível: eles estão sozinhos, no meio do deserto, há semanas. Ele é o único contato humano que ela tem e provavelmente o único que vai ter por muito tempo. Faz sentido ela acabar sedendo e criando um relacionamento. Eu só não sei se isso se qualifica como a síndrome.
Outro problema, e nesse caso é mais um problema comigo eu acho, é que em vários momentos mais para o fim do livro, eu me vi torcendo pelo Ty. Acho que é o jeito que a autora escreve é proposital, para que os leitores se sintam assim. Mas isso me incomodou, por que a Gemma não tem Sindrome de Estocolmo (a própria Gemma entra nessa discussão no fim do livro), então porque ela escreve de forma que os leitores passam a torcer pelo sequestrador? Isso foi incrivelmente perturbador para mim, porque eu odeio gostar do vilão (o principal motivo pelo qual eu desisti de assistir Dexter depois da primeira temporada).
Enfim, a escrita é ótima, muito envolvente. Mas eu acho que teria sido muito melhor se ela não tivesse começado o livro com uma "explicação" do que seria a Síndrome de Estocolmo, e só abordado ela no final.
Apesar disso, é um livro que eu recomendo. Acho que eu só fui tão crítica quanto a isso por causa da faculdade que eu faço.
De qualquer forma, vocês já leram ele? Tem vontade de ler?
Beijos,


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