As Vantagens de Ser Invisível - Stephen Chbosky
Rocco Jovens Leitores
223 páginas
ISBN: 9788532522337
Classificação: 5/5
"Ao mesmo tempo engraçado e atordoante, o livro reúne as cartas de
Charlie, um adolescente de quem pouco se sabe - a não ser pelo que ele
conta ao amigo nessas correspondências -, que vive entre a apatia e o
entusiasmo, tateando territórios inexplorados, encurralado entre o
desejo de viver a própria vida e ao mesmo tempo fugir dela.
As dificuldades do ambiente escolar, muitas vezes ameaçador, as
descobertas dos primeiros encontros amorosos, os dramas familiares, as
festas alucinantes e a eterna vontade de se sentir "infinito" ao lado
dos amigos são temas que enchem de alegria e angústia a cabeça do
protagonista em fase de amadurecimento. Stephen Chbosky capta com emoção
esse vaivém dos sentidos e dos sentimentos e constrói uma narrativa
vigorosa costurada pelas cartas de Charlie endereçadas a um amigo que
não se sabe se real ou imaginário.
Íntimas, hilariantes, às vezes devastadoras, as cartas mostram um jovem
em confronto com a sua própria história presente e futura, ora como um
personagem invisível à espreita por trás das cortinas, ora como o
protagonista que tem que assumir seu papel no palco da vida. Um jovem
que não se sabe quem é ou onde mora. Mas que poderia ser qualquer um, em
qualquer lugar do mundo."
O livro conta a história do jovem Charlie, um menino de 15 anos (no começo do livro) que acaba de entrar no ensino médio e tenta lidar com essa grande mudança, além do recém suicídio de seu melhor amigo, Michael.
Ele se encontra meio perdido até que, em um jogo de futebol, ele se aproxima de Patrick e Sam que acabam se tornando seus melhores amigos.
O livro todo é escrito em cartas, para um alguém que nós não conhecemos. Ao longo do livro nós vamos conhecendo, aos poucos, a profundidade da história de Charlie, bem como de outros membros de sua família.
O livro é tocante em diversas partes, mas para mim, a mais significativa foi um poema que ele leu para Patric na festa de natal:
Em uma folha de papel amarelo com linhas verdes ele escreveu um poema
E o intitulou "Chops" porque era o nome de seu cão
E era o que estava em toda parte
E seu professor lhe deu um A e uma estrela dourada
E sua mãe o abraçou à porta da cozinha e leu o poema para as tias
Era o ano em que o padre Tracy levava todas as crianças ao zoológico
E ele deixou que cantassem no ônibus
E sua irmãzinha tinha nascido com unhas minúsculas e nenhum cabelo
E sua mãe e seu pai se beijaram tanto
E a garota da esquina mandou para ele um cartão de Dias dos Namorados assinado com vários X
e ele teve de perguntar ao pai o que significava X
E seu pai deixou que ele dormisse na sua cama à noite
E era sempre lá que ele dormia
Em uma folha de papel com linhas azuis ele escreveu um poema
E o intitulou "Outono"
porque era o nome da estação
E era o que estava em toda parte
E seu professor lhe deu um A
e o pediu para escrever com mais clareza
E sua mãe não o abraçou à porta da cozinha por causa da pintura nova
E as crianças disseram a ele que o padre Tracy fumava cigarros
E largava as guimbas no banco da igreja
E às vezes elas faziam buracos
Que era o ano de sua irmã usar óculos com lentes grossas e armação preta
E a garota da esquina riu
quando ele pediu para ver Papai Noel
E os garotos perguntaram por que
a mãe e o pai se beijavam tanto
E seu pai não o cobria mais na cama à noite
E seu pai ficou furioso
quando ele chorou por isso.
Em um pedaço de papel de seu caderno
ele escreveu um poema
E o intitulou "Inocência: Uma Questão"
porque a questão era sobre uma garota
E isso estava em toda parte
E seu professor lhe deu um A
e um olhar muito estranho
E sua mãe não o abraçou à porta da cozinha
porque ele nunca o mostrou a ela
Foi o primeiro ano depois da morte do padre Tracy
E ele esqueceu como terminava
o Creio em Deus Pai
E ele pegou a irmã
se agarrando na varanda dos fundos
E sua mãe e seu pai nunca se beijavam
nem mesmo conversavam
E a garota da esquina
usava maquiagem demais
O que fez ele tossir quando a beijou mas ele a beijou mesmo assim porque era a coisa certa a fazer
E às três da manhã ele se aninhou na cama seu pai roncava alto
É por isso que no verso de uma folha de papel pardo
ele tentou outro poema
E o intitulou de "Absolutamente Nada"
Porque era o que estava em toda parte E ele se deu um A
e um corte em cada maldito pulso
E se encostou na porta do banheiro porque nessa hora ele não pensou que poderia alcançar a cozinha.
O livro é difícil de descrever porque é, ao mesmo tempo, simples e complexo... Ele é simples no linguajar e complexo no jeito com que ele te faz pensar sobre a vida.
Acho que a frase de que melhor descreve o livro é a frase que introduz a história:
Manter-se a margem oferece uma única e passiva perspectiva. Mas de uma hora para a outra sempre chega o momento de encarar a vida do centro da pista de dança.


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